O argumento de que Jesus apoiou Roma nao se sustenta

Simao, uma Pedra de Tropeco para o argumento de que Jesus apoiou Roma. Simao, o Zelote e nao o pedro, e uma Pedra de Tropeco para quem argumenta que Jesus apoiou Roma.

Jesus escolheu um zelote entre os doze, e essa escolha nao e um detalhe que passa despercebido quando a gente olha para o mundo real em que o evangelho aconteceu, porque a Palestina daquele tempo nao era um cenario neutro, era uma terra ocupada, uma terra vigiada, uma terra comprimida por impostos, por soldados, por simbolos estrangeiros, por um sistema politico que esmagava a identidade de um povo e, pior ainda, fazia isso usando tambem judeus como ponte, como aliados internos, como bracos locais do imperio.

E justamente nesse ambiente de opressao que surgem movimentos de resistencia com linguagem religiosa, porque para o judeu daquele tempo Roma nao era so um problema politico, Roma era uma profanacao, Roma era uma afronta a santidade do Deus de Israel, Roma era o imperio da espada que se intrometia no templo, na vida, no pao e na honra.

O Zelote

E no meio dessa tensao nasce o zelote, nao como “militante ideologico moderno”, mas como alguem que carrega uma missao religiosa de confronto com o imperio e de punicao aos traidores, alguem que enxerga o colaborador como inimigo interno, e que entende que a lealdade ao Deus de Israel exige uma postura ativa contra Roma e contra tudo que pareca submissao ou conivencia.

O zelote nao e um personagem ornamental. O zelote e o tipo de homem que nao aceita meia palavra, que nao convive com ambiguidade, que nao tolera aliancas politicas mascaradas, e por isso ele se torna uma pedra no sapato de qualquer narrativa que tente pintar Jesus como um “homem util ao imperio”, como alguem que teria atuado em beneficio de Roma, como se o Nazareno fosse um tipo de pregador domesticado, um pacificador a servico do ocupante, uma voz de contencao das massas para que a engrenagem romana pudesse continuar girando sem protestos.

A Prova Viva

Existem linhas teoricas que tentam fazer essa leitura e, quando fazem, elas geralmente puxam algumas frases, isolam alguns episodios, olham para o fato de que Jesus nao levantou um exercito, olham para o fato de que Ele nao convocou uma revolta armada, olham para o famoso “dai a Cesar o que e de Cesar”, e dai montam um quadro que tenta sugerir que Jesus, no fundo, seria conveniente para Roma.

So que essa construcao desmorona quando a gente encosta o pe no chao da historia, porque ela ignora um elemento que, por si so, e uma prova viva, caminhando, respirando, testemunhando com o proprio corpo: Jesus escolheu um zelote entre os doze.

E quando eu digo isso, eu nao estou falando de uma hipotese, eu estou falando de um fato simples, objetivo e explosivo: Simao era chamado de Zelote. Esse titulo nao e um apelido carinhoso. Esse titulo e um carimbo. E um selo que denuncia identidade, origem e posicionamento.

A Logica Esmagadora

E e aqui que a logica fica esmagadora, porque se voce quisesse provar para qualquer judeu do seu tempo que voce nao era colaborador de Roma, se voce quisesse desmontar na raiz o boato de que voce servia ao imperio, se voce quisesse neutralizar a suspeita de que a sua mensagem era uma mensagem domesticada, voce faria exatamente isto: voce colocaria um zelote ao seu lado, voce caminharia com um zelote, voce permitiria que um zelote estivesse dentro do seu circulo mais intimo, porque a presenca de um zelote e uma especie de verificacao publica, uma auditoria humana, uma contradicao ambulante contra a ideia de alinhamento com Roma.

Porque um zelote nao anda com um colaborador. Um zelote nao tolera um colaborador. Um zelote nao acompanha um aliado de Roma. E se alguem acha que acompanharia, entao nao entendeu o espirito daquele movimento.

A Igreja e Roma

E aqui aparece um segundo nivel, mais profundo e mais assustador para quem presta atencao, porque Jesus nao era um homem preso ao seu tempo, Jesus era alguem que via alem do seu tempo, e quando Ele escolhe um zelote, Ele esta tambem plantando no coracao do seu movimento uma prova que atravessa seculos e protege o seu nome de acusacoes posteriores.

Porque a historia mostra algo que ninguem honesto consegue negar: a Igreja Catolica Romana apoiou o Imperio Romano. E nao foi um apoio acidental. Foi um casamento historico, uma fusao de poder e religiao, uma institucionalizacao que transformou a fe num instrumento de imperio.

O que cresceu em Roma nao foi o Reino de Deus como Jesus anunciou. O que cresceu em Roma foi um cristianismo romanizado, estruturado para governar, para controlar, para impor, para criar uma maquina religiosa capaz de atravessar continentes, nao pela simplicidade do evangelho, mas pelo peso das instituicoes.

A Conexao com o Anti-Cristo

E e aqui que o fio do testemunho se conecta com a acusacao central: o anti-Cristo, a besta da terra, o homem da iniquidade, o falso profeta, nao constroi sua obra longe de Cristo, ele constroi sua obra usando o nome de Cristo, usando o simbolo de Cristo, usando a linguagem de Cristo, e e por isso que ele consegue enganchar multidoes, porque ele entra como quem pertence, mas o objetivo dele e outro.

Conclusao

Entao, quando voce olha para Jesus escolhendo um zelote, voce percebe que Jesus deixou uma arma de defesa plantada no coracao do seu ministerio, uma arma que nao e de ferro e nao e de sangue, mas e de logica historica e de testemunho humano.

E como se Jesus dissesse: “voces podem me acusar do que quiserem, mas olhem quem caminhou comigo, olhem quem dormiu comigo, olhem quem viveu comigo, olhem quem participou do meu circulo intimo.”

Um zelote acompanhando o ministerio de Jesus significa que Jesus nao era um apoiador de Roma. Isso nao e “opiniao”. Isso e um golpe mortal na tese contraria. Um zelote, por definicao, nao sustentaria um colaborador. Se um zelote permaneceu, e porque ali nao havia alianca com o imperio.

E no fim, a conclusao nao e sentimental, ela e inevitavel: Jesus prova que e Deus pela sua obra e pela forma como construiu o testemunho de sua propria autenticidade. A escolha de um zelote entre os doze nao e um detalhe curioso, e um selo, e uma prova historica embutida na propria estrutura do ministerio, um mecanismo divino de protecao contra acusacoes que surgiriam depois.

Ele viu muito alem do seu tempo. Isso e divino. E e por isso que, quando alguem tenta dizer que Jesus atuou em beneficio de Roma, essa tese tropeca em Simao, o Zelote, e cai. Fato.